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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006 :::
Lealdade
Rodrigo Vianna
Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? "
Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!
Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...
De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.
Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem...
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.
Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.
Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.
Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.
Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna.
::: posted by Paulo da Vida Athos at Quarta-feira, Dezembro 20, 2006
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Domingo, Dezembro 17, 2006 :::
IBOPE DE LULA É O MAIOR DA HISTÓRIA
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 38
O Ibope vai divulgar na segunda-feira, dia 18, que o Presidente Lula termina este ano com o maior índice de aprovação de um Presidente da República da história do Brasil em fim de mandato.
O índice de Lula é maior do que o de Juscelino Kubitschek.
É o apagão da imprensa e dos tucanos.
3% dos brasileiros viajam de avião.
Fonte
::: posted by Paulo da Vida Athos at Domingo, Dezembro 17, 2006
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RESPOSTA DO POVO À MÍDIA
LULA É O MELHOR PRESIDENTE QUE O BRASIL JÁ TEVE, INDICA DATAFOLHA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi apontado como o melhor presidente brasileiro da história, às vésperas da transição para o segundo mandato.
O dado foi divulgado pelo jornal "Folha de S. Paulo". Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, 35% dos entrevistados acreditam que Lula é o melhor presidente que o País já teve.
Em segundo lugar, com menos da metade dos votos, aparece Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com 12%. Os próximos mais bem avaliados são Juscelino Kubitschek (11%), Getúlio Vargas (8%) e José Sarney (5%).
Lula encerra o primeiro mandato com 52% dos brasileiros considerando seu governo ótimo/bom. Este é o maior patamar entre quatro presidentes avaliados pelo Datafolha desde a redemocratização.
Expectativa
A maioria dos brasileiros tem uma expectativa positiva sobre Lula: 59% esperam que o segundo mandato seja ótimo/ bom. A esperança caiu, porém. Antes da posse, em 2003, 76% achavam que o governo seria ótimo/ bom, um recorde registrado pela pesquisa.
No caso de FHC, 41% esperavam um segundo mandato ótimo/bom, no final de 1998.
A pesquisa foi realizada em 13 de dezembro deste ano entre 2.178 municípios brasileiros em 111 municípios de 23 Estados e do Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Situação Econômica
A maioria dos brasileiros acredita que a situação econômica vai melhorar no governo Lula. De acordo com a pesquisa Datafolha, a expectativa positiva atinge 55% dos entrevistados. Antes do primeiro mandato, 54% acreditavam que a economia melhoraria.
Fonte
::: posted by Paulo da Vida Athos at Domingo, Dezembro 17, 2006
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Sábado, Dezembro 16, 2006 :::
PROTESTE CONTRA O AUMENTO DO SALÁRIO DOS DEPUTADOS E SENADORES, ESSE ATAQUE AO ERÁRIO
"Meus queridos amigos e companheiros de lutas!
Abaixo, seguem links de Assembléias, Câmara dos Deputados, Senado e Centrais Sindicais.
Peço, portanto, que acessemos os referidos sites e enviemos nossa MOÇÃO DE REPÚDIO aos parlamentares, relativa ao assalto ao POVO com o aumento dos salários daqueles mercenários.. "
Com esse texto o companheiro de luta Wagner Marins disponibilizou um site com todos os endereços para nos manifestarmos em repúdio á falta de vergonha de nossos representantes no Congresso Nacional. O endereço está abaixo, basta clicar:
http://wagner.marins.sites.uol.com.br/protesto.html
Não deixe passar em branco dessa vez.
Como bem lembrou o amigo Sergio Trouillet:
"Paulo!
Concordo! Não é mais deboche e desprezo: é escárnio com o povo brasileiro!
Situação idêntica foi concretizada na saída do senhor FHC! Lembra do quanto os deputados se deram de presente? Cerca de 60%. E justamente mais da metade do Congresso foi "renovado" na época.
O que a Globo e a imprensa se "esqueceu" de comentar é que haviam muitos deputados e senadores que havendo perdido o mandato puderam se "aposentar" com uma régia pensão, reajustada, (igual ao dos deputados em mandato). Pensão gorda por oito anos de trabalho ( trabalho???) que se estende às esposas , viúvas. Isonomia para eles é santa, para os servidores do Executivo... o rigor da lei!
E o senhor FHC assinou rapidinho, pois na mesma oportunidade o Congresso o agraciou com uma lei que determina que qualquer ação contra um ex-presidente ou governador seja de alçada exclusiva do STF.
A Sociedade deveria ter se revoltado quando os Servidores Públicos Federais não incluídos na qualificação imoral de "Funções de Estado" que não contempla a Saúde, A Educação e aos militares, ficaram DOZE anos sendo humilhados por aqueles que se beneficiam de seus esforços.
Desejo colocar o símbolo em lugar de meu rosto que está envergonhado , como um cidadão brasileiro honrado!"
Vamos à luta!!!!
::: posted by Paulo da Vida Athos at Sábado, Dezembro 16, 2006
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Sexta-feira, Dezembro 15, 2006 :::
VIGILÂNCIA E PUNIÇÃO
por Odemar Leotti
A vida necessita da morte do outro. A morte é pro dada um vivente algo repugnante e auto-repulsivo: necessita, por esse motivo, cada vez mais ser silenciada, mas não excluída. Para que falemos da morte, precisamos nos abster do seu sentido mais corriqueiro, ou seja, não entendê-la como algo essencial e sim como apropriações, tidas, entendamos, como sutis: matar com sutilezas partes cada vez mais invisíveis, milimétricas, singularidades ainda rebeldes ao saber predominantemente identitário. Capturar o que há de mais singular no corpo, o que há de mais estranho à harmonia do funcionamento normal, mesmo aqueles que se camuflam em fendas nos mais recônditos lugares. Nada pode tornar-se inóspito à sanha disciplinadora. Mesmo nos lugares mais invisíveis constituem-se marcas quadriculadoras do funcionamento corporal: dominar o corpo controlá-lo para que a punição, a sua morte, o seu suplício torne-se cada vez mais invisível, mais mínimo, para que cada "alma" aceite seu corpo profilático e higienizado por uma moral que "inclui", tornando-o uma coisa especificada, identificada, passando a ter seu lugar demarcado no espaço, definida o mapa de seu deslocamento e repouso, ordenado seus passos, suas paradas, de tal maneira que ninguém precise coagi-lo. classificá-lo dentro de uma hierarquia espacial e temporal.
Foucault nos fala da pena não mais se centralizando "no suplício como técnica de sofrimento", mas tomando como objeto a perda de um bem ou de um direito¿. Dentro do contexto colocado por Foucault (p. 18 - Vigiar e Punir), onde afirma a questão do sofrimento aplicado ao corpo, poderíamos estender o entendimento sobre sofrimentos do corpo, como as suas perdas sutis, que passo a passo o funcionamento corporal vai abrindo mão de formas de liberdade e assumindo posturas produzidas pelo controle disciplinar. Porém essa forma poderia ter sua emergência num dado momento em que o aparelho coercitivo passasse a tornar-se obsoleto.Mais que sancionar a infração o que importa é "controlar o indivíduo", neutralizar o que tem de perigoso em suas formas de agir.
Fonte: http://www.poderrepensado.blogspot.com
::: posted by Paulo da Vida Athos at Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
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O NOBRE E O POBRE
por Odemar Leotti
O que é o ato de nascer a não ser tomar posse de um mundo infindo e belo. Porém quando nascemos não escolhemos o lugar desse ato e nem mesmo a forma de nos apossarmos deste mundo. Nascemos em um mundo já pronto e criado à medida dos homens. Tanto faz, um como outro homem nasce cada qual no lugar a ele reservado. Uns nascem na fartura material e por ironia do destino vive na miséria artística que faz com que sua vida seja abundante de comida, de roupa, de conforto. Porém sabemos de tantas notícias do paradoxo que não se quer falar. O paradoxo é que em dado momento da vida se pudéssemos radiografar os sentimentos de cada um veríamos alguém sorrindo em um barraco de favela, ou mesmo doando ao vizinho um copo de arroz, café ou dividindo o dinheirinho para o outro comprar um remédio, ou ainda plantando em latas jogadas fora pela cidade plantas para "curar" dor de barriga, "cheiro verde" para temperar a vida, boldo para aliviar a ressaca ou mesmo a dor do fígado do vizinho. Simultaneamente, veríamos em bairros de luxo, em condomínios pessoas de olhares sem vida, freqüentando sessões de análise, veríamos assassinatos de filhos pelos pais e de pais pelos filhos: por dinheiro, por ciúme ou por mesquinharia na disputa pelo espólio de um morto que mal esfriou o corpo. Então nos perguntamos quem é nobre e quem é pobre?
Sou um paulista, saí de lá ainda menino, por não poder sobreviver em minha terra. Segui a família em sua sina de busca de lugares melhores e um dia tive que voltar à minha terra paulista. Lá uma família de nordestinos me ajudou a iniciar minha sobrevivência. Sim, uma família de nordestinos! Misturei meu sangue de paulista com sangue de nordestino e meus filhos (primeiro casamento) são herdeiros desta mistura, e tantos e tantos em São Paulo também o são. Além do mais, São Paulo foi construída pelas mãos de mineiros, nordestinos e de tantos paulistas que não fizeram parte da herança da riqueza produzida por seu venerado estado. Portanto, podemos dizer que São Paulo é fruto de tantas subjetividades que o fazem às vezes belo e aconchegante, e às vezes racista e hostil. Mas o que é mesmo São Paulo? Ele podemos dizer é fruto de pensamento pobre e pensamento nobre. Então voltamos ao começo: o que é nobre e o que é pobre? Será que ser pobre é ser esse povo belo que trabalha sem parar para construir a cidade grande e majestosa, e depois morar fora dela, na periferia da favela? Então, o que é ser nobre e ser pobre? Nobre seria nascer em berços de ouro e crescer sem assentar nenhum tijolo, e mesmo assim, ter tudo na mão fruto do suor dos pobres? Pobre seria assentar tijolo para si e para o outro e de troco não guardar rancor e construir suas alegrias, suas músicas, suas danças? E o que é ser nobre? É construir teatros que pobre não entra? É construir cinemas que pobre não entra? É construir conservatórios musicais onde pobre não aprende?
Então o que é ser pobre? É ficar fora do teatro e construir sua representação pelas avenidas carnavalescas e ser visto pelo mundo? É ficar barrado no conservatório musical e fazer sambas famosos e gostosos pela riqueza poética? É produzir músicos de ouvido como Pixinguinha, Cartola, Jamelão, Adoniran Barbosa e etc e etc e etcétera?
O que é ser nobre? É poder freqüentar escolas pagas e confortáveis e depois dizer que está pronto para resolver os problemas dos pobres? É ter papai e mamãe bancando os estudos para serem médicos, engenheiros, e depois estar "pronto" para governar o povo? O que é ser nobre? É ter uma vida vazia por ser educado desde a mais tenra idade para vencer na vida? Para superar seu amiguinho? Para não brincar na rua com pobre? Ser nobre depois de formado é cheirar cocaína, fumar maconha, beber whisky, freqüentar sadomasoquismo, pagar para ser chibatado, pois precisa gozar um pouquinho? Ou ser nobre é agüentar uma família conservadora que o consumirá e o fará ser corrupto para que suas mulheres vazias possam gastar em lojas de luxo?
Então pergunto o que é ser pobre? É construir a teia de Penélope. É postergar o desejo incontido dos iluminados que querem salvá-los, ou dos liberais que lhe prometem o progresso e depois os deixam sós, tendo miséria física como excesso? Ser pobre é acertar as contas devagarzinho? É esperar a hora certa de ter seu lugar de pensar? É ter astúcia pra inventar a vida onde quase nada sobra para ele? É apesar da mesquinhez do que se quer nobre, o pobre ainda inventa música para o nobre cantar pra fugir do vazio que só ele sabe produzir para si? É apesar de nada ficar para ele, ainda ter a arte de inventar a dança pra ele e para dividir com o nobre que teve o teatro, mas não criou a dança, não criou a arte de vida? Ser pobre é não ter para ele conservatório, mas consegue assim mesmo fazer música para alegrar a vida da nobreza que freqüenta a escola, mas não tem musicalidade ligada á vida? Ser pobre é fazer a música que faz dançar a fremência da vida enquanto o nobre vai ouvir música para fugir de si mesmo? O que é ser pobre e o que é ser nobre? Nobre é rico e pobre é o que? Será que não está tudo invertido? Se deslocarmos o sentido de riqueza como tesouro do coração não estaríamos entendendo que o que é chamado de pobre não seria o que mais se aproximou do que falou o Mestre de que: "onde estiver teu tesouro lá estará seu coração"? Será que ser pobre não seria estar mais próximo do que o Mestre falou de que: "riqueza boa é aquela que quanto mais a dividimos mais ela se multiplica"? Então se entendermos riqueza pensando junto com Jesus o pobre é o rico e o rico é o pobre? Então o que é rico e o que é pobre? Hoje vemos uma minoria querendo produzir bastante riqueza e uma maioria querendo dividir pobreza. O país está dividido entre o que então? Entre rico pobre e pobre rico? E nós o que somos? Pobres ricos ou ricos pobres? Eis a questão das palavras. As mais inocentes são as mais perigosas. Palavras como disse Hölderlin, "as palavras são como parábolas, servem para fazer viver e servem para matar". Portanto, usemos com cuidado as palavras. Então, como você se considera depois de tudo que polemizamos? Você quer empobrecer sua alma para ficar rico e viver num mundo de lágrimas, hipocrisia e violência ou quer enriquecer a vida e viver nesse oceano de sorrisos? Pois é! Nesta eleição está em disputa um menino de origem nobre e um menino de origem pobre. A escolha é sua. O Brasil está em suas mãos.
Fonte: http://odemareamigos.zip.net/
::: posted by Paulo da Vida Athos at Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
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Quinta-feira, Dezembro 14, 2006 :::
O ÓPIO DO POVO
por Paulo da Vida Athos
A sociedade não finge não ver. Na verdade, parte dela, e muito pequena, sabe sobre os grandes traficantes. A maioria esmagadora é tangida a olhar para o outro lado, o lado que a mídia expõe que é o tráfico praticado pelos fernandinhos, dos zezinhos e outros inhos mais.
A grande massa é isso mesmo: massa. Gado. Olha para o caminho que lhes é mostrado. Nada mais. A mídia coloca o assassino, o seqüestrador, o estrupador, o latrocida, os tiroteios e as balas perdidas, coisas que vendem muito jornal de papel e televisivo, nessa enganação histórica que provoca o sujeito alvo a aceitar que a culpa da miséria e da fome, da falta de habitação e do sistema de saúde, do abandono de nossas crianças que breve se tornarão bandidos e venderão mais jornais, é deles mesmos, desses bandidos cretinos que infestam nossas esquinas, guetos e favelas. Bom que morram na cadeia em alguma rebelião.
E a mídia acena com o canto da sereia da banalização da pena contra a banalização da vida e o povo morde a isca, e nossos legisladores de má fé ou por estupidez crônica aumentam as penas como se fosse possível ou razoável crer que se vá combater a criminalidade que nasce da miséria e do abandono com mais prisões.
Enquanto isso continua a pousar na pátria amada aviões carregados de cocaína, containeres passam por nossos portos-corredores portando toneladas do pó-do-diabo em direção à Europa, Japão e Estados Unidos, para destruir milhões e enriquecer alguns poucos: os verdadeiros barões do pó.
Historicamente as ditaduras sul-americanas sempre se valeram do tráfico. As décadas de ditadura deram know-how aos civis e reconheçamos que é muita grana para se largar assim de mão.
Hoje as poderosas associações criminosas do narcotráfico se expandiram, se sofisticaram, se globalizaram. Não estão mais engalanadas, estão dolarizadas. Não à toa vemos exércitos se digladiando na América do Sul, exércitos de um mesmo país, todos mercenários pagos pela cocaína, lutando em solo colombiano e na região amazônica.
No Brasil, para não fugir à regra, empresários bem sucedidos estão envolvidos. Sempre estiveram. Sempre estarão.
Durante décadas o Tio Sam sempre fechou os olhos para isso, e se é de seu interesse, ainda hoje fecha. Aliás, até investe no tráfico, e, quando não mais lhe interessa, derruba seu sócio, como ocorreu com Noriega. Quando decidiu invadir o Panamá, Bush pai despachou 20 mil soldados para enxotar Noriega do poder. Bush pai foi diretor da CIA, a quem Noriega serviu muitos anos como delator. Quando deixou de interessar aos americanos, tomou um bico - como tantos outros.
Logo, não é isso que chamo de Justiça Social. Isso é corrupção. Então, para combater a corrupção se deve atentar para os poderes que o dinheiro dá ao poder. A mídia faz parte do poder. Não estou dizendo que jornalistas são traficantes. Mas sim afirmando que os grandes empresários manipulam a mídia para que a população continue nessa viagem ofertada pela droga oferecida pela imprensa.
Tudo isso sem falar nos danos provocados pela corrupção de nossos políticos e os saques contra o erário. Mais danoso que um milhão de assaltantes...
Não é a religião nem o futebol o ópio do povo.
Visite e comente nosso BLOG.
::: posted by Paulo da Vida Athos at Quinta-feira, Dezembro 14, 2006
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ESTADO CORTA ATENDIMENTO A MENORES DE RUA
Após término de convênio com uma ONG, 70 funcionários são dispensados de central de recepção da FIA.
Ruben Berta
Responsável por acolher e encaminhar crianças e adolescentes em situação de rua do Rio para seus municípios de origem, o Centro de Recepção da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), no Centro, praticamente fechou as portas no dia 30 de novembro. O convênio assinado entre o governo estadual e a ONG Centro de Assessoria ao Movimento Popular (Campo) expirou e todos os 70 funcionários da entidade foram dispensados. Este ano, a parceria sofreu inspeção, ainda não concluída, do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Às vésperas do início do verão, o corte do serviço pode representar um baque no combate a uma das principais queixas de turistas que chegam à capital: a população de rua. A prefeitura alega que terá dificuldades de arcar sozinha com o acolhimento de menores de todo o estado que chegam à cidade.
- A situação é gravíssima.
De forma súbita, o município do Rio está sendo obrigado a assumir toda a gestão metropolitana da pobreza. Já entramos em contato com outros municípios, mas não há uma rede de proteção montada nas outras cidades ¿ afirma o secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia.
Maioria dos moradores de rua é de fora do Rio Segundo um levantamento feito pela prefeitura no mês passado, de 1.682 moradores de rua contabilizados em diversos pontos da cidade, somente 23,19% informaram que são cariocas, enquanto 41,61% disseram ter vindo de outros municípios fluminenses, estados e até mesmo países (como Itália e Argentina). Um total de 35,20% não informou a origem.
No dia 30 de novembro, a Secretaria municipal de Assistência Social enviou ofício à juíza titular da 1aVara da Infância, Juventude e do Idoso, Ivone Caetano, alertando sobre os impactos da suspensão dos serviços da central de recepção: ¿Há o receio de agravamento da situação de risco que crianças e adolescentes (em situação de rua) estarão expostos, uma vez que será dificultada a garantia imediata da reinserção familiar deles¿, advertia o documento.
Uma pesquisa realizada entre os dias 28 de dezembro de 2005 e 2 de janeiro deste ano pelo Curso de Turismo da UniverCidade, com mil turistas, revelou que a população de rua foi citada por 35% dos entrevistados como o maior problema da cidade. A falta de sinalização adequada veio em segundo lugar, com 20%.
In O GLOBO, pág. 19 de 14 de dezembro de 2006.
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::: posted by Paulo da Vida Athos at Quinta-feira, Dezembro 14, 2006
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Quarta-feira, Dezembro 13, 2006 :::
CANTO DE GUERRA
por Paulo da Vida Athos
Tenho ganas de arrancar desesperanças.
De erguer as cabeças baixas que por mim vejo passar.
De erguer os punhos dos braços inertes pelos quais cruzo,
nas ruas e nas calçadas da cidade em seu leito de medo.
Medo é morte prematura!
Morrem os sonhos e as esperanças,
morre o brilho no olhar e o ideal.
Morre a vontade! A vontade não pode morrer!
A vontade é vento sudoeste,
que se não afunda a nau, faz chegar depressa!
Que afunde a nau, pois que afunde! Pouco importa!
O poeta disse apenas que navegar é preciso:
não disse o quanto nem para onde!
Esse povo é minha nau e a vida o mar.
É preciso que navegue, que não caia na calmaria
do se deixar ficar, indolente e quedo, imerso em medo,
pois a história passa
e o mar de hoje é oceano do eterno.
Singremo-lo, portanto!
Despojados, despertos, diversos do que fomos,
se mudar também for preciso...
Mas que não se arrastem os mastros mestres
de nossos braços!
Eles sustentam o velame da embarcação que somos:
nossa alma!
E nossa alma precisa de vento,
como nós precisamos da Vida,
o prisioneiro, da Liberdade...
e a Democracia, de nós!
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::: posted by Paulo da Vida Athos at Quarta-feira, Dezembro 13, 2006